2° Mito: "Escrever é um ato espontâneo que não exige empenho"
“Lutar com palavras é a luta mais vã.”
(Carlos Drummond)
De acordo com Garcez (2001), “todo ato de escrita pertence a uma prática social. Não se escreve por escrever. A escrita tem um sentido e uma função”. Muitos pensam que as pessoas que redigem bons textos o fazem como quem respira, num piscar de olhos, sem o mínimo esforço. A história não é bem assim...
Escrever é um dos exercícios mais complicados que realizamos, pois exige muito da memória e do raciocínio. Segundo Garcez (2001), "a agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados, coordenados, harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido".
Conhecimentos da mais diversa natureza são acessados quando estamos produzindo um texto. No momento da escrita é fundamental pensar em alguns aspectos: o assunto, o gênero adequado, em que situação ele será produzido, os possíveis leitores, a língua e suas possibilidades de estilos. Assim, escrever não é um ato espontâneo. Exige muito empenho, é um trabalho duro, nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para elaboração de um texto fluente, claro, adequado.
Claro que, para quem escreve todos os dias, essa missão se torna mais fácil com o passar do tempo, mas mesmo assim há relatos de pessoas que ainda sentem dificuldades, pois é um trabalho braçal e mental muito rigoroso e por vezes frustrante. Já reparou que você nunca está satisfeito com o que escreveu? É por isso que ficamos babando ao ler um autor literário (um Machado da vida), pois muitas vezes eles conseguem traduzir em palavras sentimentos e emoções que jamais conseguimos fazer com tanta precisão.
Fonte: GARCEZ, L. H. do Carmo. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
Relato de aula:
Esse foi um texto chave da nossa segunda oficina (30/08/2014), qual teve como principal objetivo uma conversa sobre as práticas de escrita apresentando alguns mitos e rompendo com uma visão mistificada que temos dos atos de escrever, já os motivando para uma primeira produção. Nesta aula compareceu um número menor de alunos que a aula anterior.
Com um caráter mais prático, a aula foi iniciada com a leitura do poema “O Lutador”, de Carlos Drummond de Andrade e em seguida, umas das pibidianas deu sequência à série “Os mitos da escrita” com a leitura do 2° mito acompanhado de um momento de reflexão. Logo após pedimos aos alunos que escrevessem um relato de sua experiência com a prática de leitura e escrita.
Para isso, reforçamos o que é o gênero textual relato, e suas principais características, a partir dos conhecimentos já apresentados pelos alunos e sugerindo algumas perguntas que poderiam ser respondidas ao redigir o texto.
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