Existem
discursos muitas vezes mascarados, tentando fazer a gente acreditar que existem
boas intenções por trás. Estes discursos já contaminaram a nossa mente de tal
forma que os reproduzimos sem nem ao menos questionar o que de fato significam.
O
que estaria por trás de “precisamos
dar voz aos jovens”,
ou ainda, “os jovens
são o futuro”?
A
todo o momento vejo críticas a minha geração; dizem que é a mais alienada de
todos os tempos, que não sabemos pelo que e nem para que lutamos e isto quando
lutamos. O que ninguém diz é que somos treinados para ficar em silêncio enquanto
os mais velos resolvem aquilo que não somos capazes, somos como bonequinhos com
nossas bocas costuradas até que em um determinado momento arrancam a linha de
nossas bocas e exigem que articulemos como verdadeiros oradores. Controverso
não é mesmo?
“Precisamos
dar voz ao jovem...”. Não,
ninguém precisa dar voz aos jovens... nem as mulheres... nem aos negros... nem
aos indígenas... e nem a nenhuma minoria jogada a margem da sociedade, o que
todos realmente precisam é dar ouvidos. A reflexão a respeito desse discurso é
bem simples, é fácil querer falar por nós, difícil mesmo é escutar aquilo que
temos a dizer, afinal uma vez que nos escutem não será mais o que os detentores
do poder, os “donos da
voz” querem q seja
dito.
“Os
jovens são o futuro... ”. Não
sei vocês, mas eu estou aqui hoje. Eu sou o AGORA! Por que adiar a minha
participação no presente? O argumento para isto pode ser a falta de
experiência, a idealização de um mundo melhor, por não ter vivido o suficiente
para descobrir que não há mais jeito, que o certo é aceitar e continuar
reproduzindo algo que nitidamente não está funcionando. Esperam a gente perder
as esperanças... O pensamento revolucionário causa medo, então é melhor
desacredita-lo.
Ai
vai mais uma das mentiras que nos contaram e engolimos sem discutir. “Você é o que come... o que
veste... o que a sua imagem transmite”. É preciso DESCONTRUIR. A verdade é que somos o que
pensamos e fazemos, nosso corpo nada mais é do que uma casa para nossa mente. E
quem manda? A casa ou a dona dela?
Thais Alves de Souza.
Texto elaborado pela
pibidiana Thais, após uma oficina do Projeto Salto em que os participantes
foram desafiados a criar uma campanha que causasse movimentação na escola.

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